Sunday, May 24, 2009

Spring Time: Vamos para o parque?

Genteee querida!!!
Desde que cheguei aqui fico sempre pensando sobre como o clima de fato interfere no comportamento das pessoas. para nós que vivemos em um país onde as estações do ano não são tão bem delimitadas como aqui talvez isso não faça tanto sentido, mas aqui isso é um fato. As minhas fotos na Washington Square no tenebroso inverno e aquelas que tenho tirado agora são um bom espelho para nossa comparação. Estamos na primavera e está bem quente, temos atribuído esse calor atípico aos efeitos do global warm (aquecimento global). Pois bem, não há mais espaço para cachecóis, casacos, luvas e botas. Agora é a vez das Havaianas - aliás sucesso absoluto aqui. Você vê as pessoas com roupas altamente sociais e com nossos chinelos nos pés. Claro que como uma precavida Dandarinha e com ajuda de minha amiga Carol (que comprou e me mandou) eu já garanti modelos absolutamente coloridos e brasileiros, afinal "moro num país tropical abençoado por Deus". Meus pés chamam a atenção despertando olhares curiosos (geralmente femininos) de admiração e cobiça, visto que aqui encontram-se apenas as Havaianas mais básicas. So sorry baby... Ahahahah!

Washington Square durante o inverno no mês de fevereiro

Eu fico cada dia mais encantada com a cultura americana de frequentar parques e praças. Para uma comparação não tão apropriada, eles têm a mesma relação com esses espaços que parte de nós mantêm com a praia. Quinta-feira, dia 22 de maio. Uma tarde em torno de 32 graus

Poucos minutos no parque rendem uma etnografia para lá de interessante. As crianças (e marmanjos também!) tomam banho no chafariz. Casais forram toalhas e cangas e deitam-se abraçados, estudantes lêem livros, amigos almoçam em conjunto. E muitas pessoas simplesmente sentam e observam tudo ao seu redor. Nossaaaaa! Não sei explicar, mas é tão legal. Algumas vezes sento perto do chafariz e dá uma sensação tão boa sentir as gotas d'água nas costas. Olho para frente e vejo a biblioteca. Parece tudo perfeito!!! Eu, Daniel e Karen temos optado por fazer nossas conversações nesta praça. Eu estou totalmente fanática pela Washington Square. Todo dia cruzo a praça no caminho para Yoga, dou um jeitinho de sentar lá alguns minutos de tarde e na hora de ir embora adivinhem qual é minha rota? Isso aí, overdose de Washington Square. Mas existem muitas praças e parques em NYC!!! E a primavera e o verão nos convocam para explorar estes espaços abençoados por Deus, bonitos por natureza, mas também pela mãos humanas... Axé aos parques!!!

Nada melhor que um começo de noite entre amigos no parque. Eu, Amana, Rodrigo e Márcio na última sexta, dia 23 de maio.

Apresentando um paper em Inglês...

Fala genteeeee!!!

No dia 24 de abril estive em Connecticut na Wesleyan University. Fui uma das selecionadas para participar de um workshop sobre diáspora africana. Meu trabalho tratava de questões relacionadas à beleza e à intelectualidade nos jornais da imprensa negra em São Paulo de 1915. Graças à colaboraçao de amigos transnacionais, depois de muitos problemas com uma tradutora, foi possível traduzir o texto para o Inglês. Bem, estamos nos USA, logo tive que apresentar meu paper em Inglês. Ahahaha! Deu frio na barriga, mas nada incontrolável. Após muitos aconselhamentos constatamos que o melhor seria ler um pequeno texto, ao invés de falar livremente, visto que AINDA não tenho fluência para isso. Bem, eu tinha dez minutos para falar e meu texto tinha 25 páginas. It is impossible! Assim, reduzi o artigo para um texto de 5 páginas o qual pude apresentar. meu amigo irmão Marc, que é um historiador muito inteligente, profesosr desta universidade, disse que eu fui muito bem. Eu também gostei do resultado, até mesmo consegui responder perguntas.

Eu, a professora Lorelle (organizadora do evento) e meu pai Ogum no meu pescoço. Salve!

Foi muito interessante a oportunidade de apresentar neste espaço. No Brasil, já fiz isso inúmeras vezes e pude assim estabelecer diversos pontos de comparação. Uma das coisas que mais me chamou a atenção é a precisão do tempo. Dez minutos são 10 minutos e você pode marcar um compromisso para a hora de encerramento sem ter medo de dar vexame e chegar atrasado porque de fato as coisas terminam na hora. Não acho que seja o caso de ficarmos fazendo juízos de valores entre Brasil e USA sobre pontualidade. Na minha lente, são dinâmicas diferenciadas e ambas são produtivas. Nossos minutos (às vezes horas) excedentes aí no Brasil também nos rendem muitos frutos... Fiquei muito feliz com o resultado.
No olho do furacão: lendo meu texto

Também fiquei muito feliz porque novamente reencontrei uma outra família que tenho aqui e que curiosamente foi formada no Brasil. Meus grandes e queridos amigos Marc e Ykuko. Ele é norte-americano e morou no Rio de Janeiro por um ano, pois estuda música e cultura no começo do século XX, em especial questões relacionadas à música negra. A Ykuko é japonesa e também é historiadora. É uma menina muito doce e atenciosa. E os dois juntos formam um casal muito bonito. Este mês eles vão se casar!!! Muito legalll! Eles merecem toda felicidade do mundo, são pessoas especiais.

Ykuko and Marc, more than special friends!!!

Fiquei hospedada na casa deles. Assim rimos bastante porque quando nos juntamos qualquer coisa se torna engraçada. Eles me levaram em um delicioso restaurante tailandês e antes de embarcar no trem de volta comemos pizza sentados em um simpático parque. Mais uma vez nos despedimos com o desejo de um reencontro o quanto antes. No Rio de Janeiro, ambos tiveram a oportunidade de conhecer minha mãe, a famosa e saudosa Dona Sonia e ela adorava os dois assim como eu. Valeu Marc e Ykuko! Quero voltar na casa de vocês e let's get more ice cream pleaseeeee! Thanks Marc!!!! Arigato Ykuko!!!! Obrigada marc e Ykuko!!! I love you...


Tempo de Primavera e Amizade

Vivendo em um Brownstone

Salve gente queridaaaa!

Pois bem, continuo aqui tentando atualizar vocês das minhas news pela crazy New York City. No mês passado, eu mudei de casa. Continuo morando no mesmo bairro - Bed Stuy - que fica no Brooklyn, mas agora estou bem mais feliz e saltitante. Estou morando no brownstone da Janny e do Ozzie, um elegante e simpático casal de dominicanos que me receberam de braços abertos desde meus primeiros dias nessa terra. Brownstone são prédios em geral com três ou quatro andares, construídos no começo do século XIX. Alguns deles tem vários apartamentos, mas no caso do de meus amigos, eles compraram - diga-se de passagem - com muita luta, suor e trabalho - o prédio todo e transformaram-no numa ampla e aconchegante casa, uma verdadeira mansão dominicana. Tenho muito orgulho de falar isso, pois tenho acompanhado a luta diária dos dois para colocar esse brownstone do jeito que eles sonham. Eu moro no quarto andar da casa em um pequeno e simpático quarto. No quarto ao lado mora a Ngina e no terceiro andar o Luiz, que é do Equador. Temos nossos próprios banheiros e cozinha. Janny e Ozzie moram no primeiro e no segundo andar, assim todos nós estamos conectados sem perder a privacidade. Esta experiência tem sido muito gostosa e bem saudável, afinal diariamente subo pelo menos três vezes três lances de uma escada com corrimões super bem decorados. Meus amigos são muito chiques mesmo!!!
Eu na entrada do Brownstone no dia da minha mudança, um sábado de muito calor.

A minha outra casa fica a uns dez minutos daqui a pé, então as coisas não mudaram muito. Continuo acordando nos mesmos horários e frequentando diariamente o trem C, minha linha aqui nessa área. Levo em média 25 minutos para chegar em Manhattan no complexo da NYU. A vida na casa de Janny e Ozzie é bem mais prazerosa porque como sempre digo construímos uma amizade bem forte, então de fato somos uma família aqui... Esse bairro é uma experiência muito interessante. Reduto de negros americanos e latinos, ele possibilita que eu observe diariamente questões relacionadas a políticas raciais nos USA.



Janny, sempre pronta para mais uma aventura. Dessa vez me ajudando com as tralhas...
E essa é uma vivência louca... pensar por exemplo que aqui, eu, ao invés de negra, sou classificada aos olhos do bairro como latina. Converso muito com as pessoas do comércio, do bairro, enfim, então sempre tentam adivinhar de onde eu sou. As hipóteses mais comuns são: Puerto Rico e República Dominicana. E eu, que fui adotada por dominicanos fico com a segunda opção, assim a cada dia vou deixando desabrochar minha dominicanidade... As conversas com Janny me fazem pensar o quanto o Brasil desconhece seus parceiros latino americanos. Temos tanta coisa em comum com os dominicanos, desde o arroz com feijão na dieta básica até ditados, gírias e expressões... Sim, sim, podem me chamar de Dominicana. Eu brinco com a Janny dizendo: Sou Dominicana de la capital!!! E ela morre de rir...


Ainda falta muita coisa...



Saturday, May 23, 2009

Piercing no Nariz

Oieee rapeizêee!!!

Em mais uma das agradáveis tardes de Manhattan, caminhando com minha querida sister Janny tivemos mais uma de nossas "brilhantes" idéias. Ela tem um piercing no nariz e eu sempre achei esse furo muito bonito. Nesse dia olhamos uma para cara da outra e depois de comermos uma salada básica em um restaurante pensamos juntas. Por que não hoje? Ahahah! Essa é a prova de que não precisamos estar bêbadas para seguirmos nossos impulsos, ahahaha!!! Bem, começamos a procurar um studio que fizesse esse furo. Of course que em NYC existe um lugar desses a cada esquina. Por fim entramos num lugar perto da NYU.


Foto do studio, by Janny Llanos


Quando chegamos uma jovem com muitas tatuagens e piercings nos atendeu. Ela fez o furo manual e rapidamente, mas foram um dos segundos mais demorados da minha vida. Sabem por que? Porque doeeeeuuuuuuuuuuuuuuuuuu muuuuuiiiiiittttttoooooo, mas nada que uma neguinha carioca não posso aguentar. Eu, Janny e a moçada daqui aprovamos o resultado. Estou adorando minha nova indumentária, tipicamente novaiorquina. Valeu Janny, você é mil amiga!!!
Rindo a toa antes do Piercing





Chorando com motivo depois do piercing


Depois de tantas lágrimas, para não perder o hábito eu e minha superquerida amiga fomos nos empaturrar de comida tailandesa no restaurante Beyond, local que viramos freguesas desde o dia que descobrimos a seguinte promoção: um aperitivo, um drink e um prato especial pela singela quantia de $15. Pode parecer estranho aos olhos de vocês, mas acreditem para NYC essa é uma verdadeira pechincha!!!


No Beyond



Depois disso, como sempre, pegamos o trem A juntas e fomos para casa descansar e recobrar as forças para nossa próxima aventura.


Conexão Inglês-Português

Oie moçadaaaa;
Vamos lá! As novidades são infinitas e hoje, 12:39 PM de um sábado, estou animada para escrever. Falo isso porque acho que é importante escrevermos quando nos sentimos motivadas para isso. Aqui, todo o tempo, a vontade de compartilhar experiências com vocês me acompanha, mas, muitas vezes, somos levados pela ilusão do "depois eu escrevo". Pois bem...
Aqui em NYC eu fui abençoada pelos Orixás e consegui constituir uma verdadeira família transnacional. Ela é composta de pessoas que amam e se encantam com cada suspiro da cultura brasileira. Às vezes, chego a ficar envergonhada, pois tenho a impressão que essas lindas pessoas conhecem mais do Brasil que eu mesma. E isso é muito interessante, aprendo muito sobre Brasil com essa rapaziada! Acho isso muito bonito e intenso.
(Da esq./dir.): Natan, Daniel, Eu, Greg.
O Natan e o Greg foram os que primeiro me adotaram. Quando cheguei aqui, não sabia nada de Inglês e fiquei hospedada os dez primeiros dias na casa deles que também é no Brooklyn. Eles são historiadores brasilianistas, ou seja, são estrangeiros que estudam História do Brasil. Os dois são meninos encantadores. Doces, amigos e gente boa toda vida. Esse ano eles estão indo aí para o Brasil. Estão animados, como sempre!!! O Daniel é também se tornou um amigo muito querido. Nós fazemos uma prática muito comum aqui: exchange conversation. Ë uma espécie de intercâmbio de Línguas. Semanalmente numa conversa em torno de 1 hora conversamos meia hora em Português e a outra metade em Inglês e nos corrigimos mutuamente em questões relacionadas ao vocabulário e à pronúncia. Essa é uma experiência muito rica aqui de NYC. A língua realmente é uma porta de entrada essencial para degustarmos as várias possibilidades de alteridade que o mundo nos oferece e que muitas vezes nos sentimos tolidos de aproveitar. Salva o exchange!!! Isso tem sido fundamental para o desenvolvimento do meu Inglês. Eles dizem que eu tenho improved (melhorado) bastante. E eu estou acreditando, de fato, hoje tenho um nível de comunicação e expressão que nem se compara ao dos meus primeiros dias nessa terra de todas as línguas e sotaques. Porque o desafio aqui em NYC não é apenas aprender o Inglês. Você precisa desenvolver sua capacidade de escuta o tempo inteiro porque você conversa Inglês com arábes, indianos, turcos, japoneses, mexicanos, argentinos, vietnamitas, tailandeses... Não há como descrever a infinidade de accents (sotaques) com os quais nos deparamos a todo tempo. E isso é muito intenso e desafiador.

Essa é minha querida amiga Karen. Assim como com Daniel, também tenho a oportunidade de fazer exchange conversation com ela.

A Karen é mais um presente de NYC. Ela é estudante de mestrado na NYU também. É uma menina muito doce e simpática, conversamos sobre as coisas mais variadas, geralmente em algum café e ultimamente no parque para aproveitar o calor do sol e o azul do céu. É legal pensar que eu cheguei a Karen graças a querida amiga Aline, que ano passado foi uma sanduicheira como eu. Em junho, a Karen está indo visitar vocês aí no Brasil, então nesta segunda, dia 25, ela vai fazer um mega pic nic de despedida no Central Park. Oba, mal posso esperar!!!
De fato eu tenho sido abençoada. Pessoas incríveis têm adentrado a minha jornada aqui, o que torna NYC cada vez mais inesquecível para mim. É louco, ainda tenho quase 7 meses pela frente, mas já estou com saudade.
A Yuko é mais uma brasilianista. Ela é uma menina mais que inteligente, dona de um coração muito generoso. Amiga e companheira, ela foi fundamental para minha sobrevivência aqui nos primeiros tempos com suas traduções e orientações de nomes de ruas e lugares. Além disso, ela sempre tem uma palavra de apoio e um ouvido muito bom e sensível para escutar seus amigos. Adoro ela também. Esse ano ela ficou muito feliz porque depois de dez anos sua mãe veio visitá-la aqui em NY. Ela vai frequentemente ao Japão, mas sua mão não vinha aqui há uma década e eu sei que sua visita foi um momento muito especial. Eu fiz parte de uma noite mágica. Yuko reuniu seus melhores amigos em uma linda e agradável cantina italiana em Manhattan e juntos jantamos e cantamos Happy Birthday para sua mãe. Esse foi um dia especial!!! A mão dela tinha os olhos brilhando assim como a filhota. Foi bonito de ver. Assim como eu, ela é filha única.

Yuko, sua mãe e eu numa noite inesquecível

A lista de pessoas queridas não pára por aqui, por isso eu continuo aqui alimentando a minha doce ilusão de ir apresentando cada um desses incríveis personagens detalhadamente, afinal cada uma delas merece no mínimo um post específico. Mas vamos lá, com o tempo vou conseguir falar um pouquinho de cada uma dessas extraordinárias pessoas...

Axé!

Consciência Transnacional

Salve tod@s!!!

A moçada tem reclamado que não tenho mais escrito no blog. É verdade, a razão é de vocês!!! A experiência que vivo aqui é muito interessante, pois é uma rotina definida pelo inedetismo. Antes nunca achei que isso fosse possível, mas a experiência de ser um sujeito transnacional nos traz novas descobertas a cada milésimo de segundo.
As aulas diárias no curso de Inglês permanecem. Lá, como já narrei uma vez, os encontros são muito intensos. Essa semana conversava com meu amigo mexicano. Ele é um jovem de 24 anos que sonha fazer a faculdade de Manager Culinary. Ele saiu de seu país junto com seu irmão deixando para traz uma vida, segundo ele, sem "muitas perspectivas". Eles estão ilegais aqui e vieram de ônibus assim como milhares de mexicanos diariamente. São histórias de dor, de lágrima, de superação de resistência.
Foi interessante esta semana porque um professor pediu que a gente fizesse uma atividade de simular no site da American Air Lines uma compra de passagem para nossos respectivos países. O grau de euforia das pessoas era tanto, que um desavisado que passase no Room Computer Center (sala dos computadores) acreditaria que realmente iríamos viajar. Realmente as experiências no Brooklyn Adult Center têm sido as mais marcantes. Estar ali representa a chance de viver com pessoas reais, o que me provoca um interessante contraponto, visto que diariamente também percorro as luxuosas instalações da Biblioteca da New York University e divido mesas, computadores e cadeiras com jovens da idade de meu amigo do curso de Inglês, mas donos de trajetórias totalmente distintas das dele.
Tenho pensado muito como é importante nos afastarmos de nosso contexto para podermos nos compreender melhor. E, de fato, NYC é um privilégio para a prática desse exercício.
Axé!

Wednesday, April 15, 2009

No Brooklyn Adult Center...

Como vocês sabem, faço aulas de Inglês diariamente no Brooklyn Adult Center, uma school que fica a dois blocks (o que chamamos de quadra) da minha casa. O curso é uma oportunidade é tanto. Para mim, que passo boa parte do tempo infurnada em Manhattan, nas dependências da chiquérrima NYU's Library, o BALC (Brooklyn Adult Center) representa um momento muito especial, a possibilidade de viver com pessoas reais, com gente como a gente, pois esta é uma sensação que não sinto na NYU.


A professora - Victoria Capeci (na foto acima) - é um capítulo à parte. Ela é descendente de irlandeses. Dá aula há quase 20 anos e tem uma enregia que vocês não podem imaginar. Aliás, podemos sim! Estamos na sala de aula aí no Brasil. Ela "se vira nos trinta" legal.
O curso é uma experiência bem forte, parecemos estar numa grande família. Há pesosas de todo o mundo: Iemen, Guiné Bissau, República Dominicana, México, Senegal, Haiti, Marrocos, Índia. Não há como mensurar o que isso implica na transformação do ser humano. São tantas culturas coexistindo, é algo muito forte e bonito de se viver... Todos os dias agradeço a Oxum e Ogum por essa oportunidade, e, não poucas vezes, me emociono nas aulas...
Na minha turma, por exemplo, há pessoas em torno dos 40 anos que estão se alfabetizando agora. Deixaram seu país, sem saber ler e escrever, sabe se lá como, em busca de uma vida melhor por aqui. Em outras palavras, vieram "fazer a América"... Há um clima de mistério que ronda a sala de aula. Não resta dúvidas que há vários imigrantes ilegais ali dentro... fato mais que comum em toda a cidade, em especial nos poor neighbourhoods (bairros pobres).

Alguns dos meus amigos fazendo um lanchinho. Na frente, o Saleil de Bangladesh está estudando.
A gente tem uma imagem muito caricaturada dos US, então muitas coisas aqui surpreendem. Por exemplo, não pude acreditar que na sala de aula, para trabalharmos listening (escuta), Victoria usa um gravador de fita cassete. My God, até nas escolas públicas aí do Brasil não vemos mais esses aparelhos. É impactante ver uma gambiarra com um fio cruzando a sala para que o gravador fique em cima da mesa de Victoria considerando que isso acontece em New York City. As instalações do curso denunciam o descaso e a falta de recursos destinada a essa escola, embora para o meu olho, ela seja muito boa. O mesmo comentário se aplica ao meu bairro - Bed Stuy - ele foi o primeiro bairro de ex-escravos. Reduto de latinos e negros, Bed Stuy é um bairro pobre, embora aos meus olhos seja difícil associá-lo á pobreza. Mas com o tempo você vai percebendo, é um outro tipo de pobreza da que vemos aí no Brasil. As ruas são limpas, há saneamento básico, calçamento, mas percebemos pouca iluminação e transportereduzido de noite. Além disso, os tiros na madrugada e a patrulha policial que sempre fica na Fulton Street também denunciam... anyway...
Como vocês sabem, imediatamente tornei-me amigas das muçulmanas. Acho que temos uma relação de alteridade muito forte. Elas são um mistério pra mim, eu um enigma pra elas. É um clima de escola mesmo. Toda vez que chego atrasada, tenho meu lugar guardado pela Farvin. Ela faz questão que eu sente do lado dela toda aula. E eu adoro, a gente ri e conversa bastante. Ela é muito bonita. É filha de professores universitários, e me conta que foi criada com mais liberdade. Entre as muçulmanas de minha sala, Farvin é a única que usa calça jeans e tenis Nike. Sinais da sua liberdade... Ela é solteira, e está esperando um good man para se casar e ter filhos. E quer a todo custo que eu me case também. Eu respondo: "tá bem Farvin, mas também quero um good man". E ela ri... ri bastante... Elas não conseguem entender o que uma jovem vem fazer completamente sozinha nos US, e por conta disso resolveram me adotar. Me ligam aos finais de semana, me convidam paraà Mesquita e sempre estão comigo no curso. Gosto tanto delas, que meu olho se enche de lágrimas. Elas são muito queridas! Nunca imaginei que um dia teria amigas muçulmanas...



Eu e Farvin


Há ainda outras amigas: a Munira, que já apresentei a vocês e a Shrin, que em breve será apresentada. Além dessas meninas, há muitos haitianos no curso: o Jim, o Edriss e a Nathanael são alguns deles. Sua primeira língua é o Francês. Esse é um outro aspecto que torna o curso uma experiência mágica. Ver e ouvir o Inglês nos mais variados sotaques... onde o brasileiro é mais um...
Há ainda a dominicana Rosa. Conversamos muito. Ela está nesse país há dez anos, é casada e tem filhos. O sonho dela é que seus filhos façam faculdade aqui. Rosa fala Inglês bem, mas resolveu estudar... Fica muito difícil traduzir essa experiência em palavras. Todos os dias alguém está triste, com os olhos marejados... isso já é normal, e naturalmente, nesse dia essa pessoa é tratadade forma especial. Ela pode ganhar um doce, ser a escolhida para ler o texto em voz alta ou algum outro tipo de mimo que a professora inventa ou que nós, seus "parentes", criamos.

Eu e Rosa


Já estive assim vários dias, e foi muito bom receber abraços dominicanos, beijos banglas, sorrisos haitianos... E dessa forma, os dias vão passando no Brooklyn Adult Center...






Saturday, March 28, 2009

Exercitando a Sozinhude



Oieee minha gente queridaaaa;


A vida aos poucos começa a se transformar na nossa tão habitual rotina, assim, naturalmente os escritos vão diminuindo, mas não se preocupem, que atenderei aos pedidos e continuarei postando news.













Esta foto é do dia 3 de março, data da pior nevasca do ano. Tem coragem?


É engraçado isso, porque a rotina que se vive aqui, por mais rotineira que seja é, ao mesmo tempo, nova, inédita, então sempre há coisas para contar, para compartilhar com vocês.Como vocês sabem, sou chegada aos neologismos. O mais recente é o da sozinhude. Mas que diabos significa essa polissílaba? Ai, lembrei dos tempos de escola quando a gente tinha que contar as sílabas e classificar as palavras!!! Lembram? Monossílaba, Dissílaba, Trissílaba...Pois bem, sozinhude é o que eu defino como a plenitude de estar sozinha. Aqui tenho tido a oportunidade de exercitar e aprimorar este vocábulo a todo instante.É uma solidão bastante específica, diferente daquela que nos remete diretamente a dor e ao sofrimento. É uma solidão onde podemos nos conhecer melhor, onde nossos cantos mais íntimos são desnudados e mares nunca dantes navegados desbravados.







Gigi in January 26: exercitando a sozinhude
É uma experiência forte, intensa, prazerosa, mas também dolorosa. Nela há lágrimas, múltiplas lágrimas: dor, felicidade, saudade, reverência, certeza, e, sobretudo, dúvidas, muitas dúvidas, "many doubts"... Os sorrisos também pulam como pipoca feita naquela panela em que a tampa não encaixa muito bem porque já caiu no chão várias vezes. Os americanos, com certeza, desconhecem esse sentimento, mas a gente sabe muito bem o que pode significar uma panela velha que faz "comida boa"!É uma sensação comparável a de arrumar um armário que está pedindo socorro! Nós, mulheres (os essencialismos fazem parte da História) sabemos bem o que isso significa. Nesse armário temos contato com antigas peças que guardam nos cheiros e eventuais manchas histórias engraçadas de aniversários, viagens, porres ou memórias tristes de brigas, mortes, desencontros... E enquanto arrumamos nosso armário, passa um filme na cabeça, e, naturalmente, as lágrimas e sorrisos começam a pipocar... Este é um exercício bastante introspectivo - até porque nossos adoráveis companheiros, na maior parte dos casos, se recusam a participar de tão esdrúxula e infundada missão. Preferem acompanhar as rodadas do Brasileirão na sala com controle remoto na mão!
Um exercício de sozinhude no lar doce lar: 1/26/09



A vida aqui tem sido dessa maneira, sozinhude intensa, onde cada detalhe é decisivo. Interpelar as pessoas e ser interpelada na rua... Ouvir diferentes sotaques onde o seu é mais um... Pensem nas minhas amigas do Iemen, que tem como língua materna o árabe, falando Inglês... E é bonito gente, todos nós nos entendemos em alguma medida. Você começa a perceber que o corpo fala, você vive a máxima experiência do corpo como um texto.Quando se está sozinha coisas que sempre foram desinteressantes passam a ser centrais. Ver as pessoas passando pela rua da sua janela para saber com que roupa devemos sair. Ligar o laptop antes mesmo de tirar a mochila ou trocar de roupa. Ter horários certos para as refeições. Tudo vai adquirindo um sentido absolutamente imprescindível para a nossa vivência, veja bem, eu disse vivência, e não sobrevivência... Definitivamente, não há sobrevida nessa experiência...
E assim, os dias vão passando regados à sozinhude...Um brinde a este tão fantástico e intenso sentimento!!!

De pés e coração na Mesquita

Oieee queridíssim@s;

Na sexta-feira, dia 20 de março, eu fui conhecer uma Mesquita. God!!! É uma experiência de fato inenarrável. No meu curso de Inglês e em New York como um todo existem muitos muçulmanos. No início eu ficava com torcicólo porque sempre me virava para ver as mulheres de véu e os homens vestidos com jibab, que eu na minha humilde ignorância chamava túnica.

Clima descontraído na Mesquita







No meu maravilhoso curso de Inglês, tive a oportunidade de fazer amizade com elas. Já contei para vocês: elas querem ter cabelo curly (cacheado) como o meu, e por isso estabeleceram comigo o primeiro contato. Isso foi surreal, porque eu no meu total desconhecimento carregava em minha mente estereótipos que a mídia insiste em construir. Ridiculamente, imaginava mulheres andando o tempo todo de cabeça baixa e sem falar com ninguém. Nossa, dá até vergonha de pensar que eu já pensei isso um dia. Mas, como viver é aprender, cá fui eu para uma Mesquita.

Sexta-feira é um dia importante para os muçulmanos. Nesse dia há uma pregação especial feita pelo Iman (seu líder religioso). Nesta sexta, tudo foi mágico para mim. Munira e Farvin, minhas amigas mais próximas do curso, respectivamente do Iemen e de Bangladesh, não puderam me acompanhar. Quando as mulheres menstruam não podem ir à Mesquita participar da cerimônia. Em outra ocasião, explicarei o porque, antes que sejamos seduzidos por explicações óbvias do tipo: quanto preconceito, quanta opressão... No Islã, tudo tem um sentido, tudo é explicável. E isso para mim que sou cheia das perguntas foi um prato cheio como vocês podem imaginar.

Pois bem, fui acompanhada por Fátima. Ela é Marroquina e deve ter em torno de 40 anos. Uma mulher forte no olhar, no jeito de falar, em tudo. Ela estava com sua filhota, a pequena e simpática Aiete. Fátima me levou até um brother que me deu importantes explicações. Depois eu fui almoçar em um restaurante muçulmano... Ai, ai, ai, quanta coisa gostosa esse povo come!!!! Fiquei no peixe e na saladinha... Muito good!!!


A pregação começaria às 13:30h. Após almoçar, Fátima me levou para Mesquita. Veja bem, eu não sabia nada do que ia acontecer dali para frente, nada mesmo, nothing!!! Minha primeira surpresa foi a de que os homens entravam por uma porta frontal, e, nós, mulheres pela lateral. Por favor, isso não se traduz como machismo...




Antes disso, Fátima - de forma extremamente maternal - colocou-me o véu, o scarf (lenço em Inglês, esqueci de perguntar como é em árabe!!!). Pronta, de véu, mochila, calça jeans e jaqueta, entramos. Lá, temos que ficar descalças. Recebemos sacolas para guardarmos nossos sapatos. O clima é bastante animado!!! Muitas mulheres com véus de todas as cores e tipos, com pedras, bordados, sedas, conversam em tom alto e animado. Ao se reencontrarem se abraçam longamente, dão beijos bem estalados e ficam bastante felizes de ver um novo rosto ali prestigiando a sua religião.

Fátima me avisa que quando começar a pregação não poderá mais conversar. Sim, "I understood Fátima", respondo a ela com meus olhos arregalados. AInda dá tempo de perguntar como devo proceder caso eu queira fazer as orações. Ela me leva ao banheiro e me ensina o ritual islâmico. Ninguém lá dentro é obrigado a rezar, mas caso queira tem que antes purificar o corpo. Esta purificação consiste em lavar as mãos e a boca três vezes, os braços até o cotovelo uma, os ouvidos, o rosto e os pés. Existe uma ordem para isso, que eu não consegui decorar. Além disso, você tem que ir com roupas limpas, sem nenhum tipo de sujeira em respeito a Alah.

No salão em que as mulheres ficam, há uma televisão. É através dessa televisão que assistimos à pregação. Uma parede nos separa dos homens e do Iman. Assistimos à pregação dele via televisão. Há espaços separados para homens e mulheres. E, ao contrário do que nossas mentes ocidentalizadas nos induzem a pensar, a experiência nem por isso deixa de ser menos intensa. Pra falar a verdade, é bem forte o sentimento de estar sozinha entre pares femininos reverenciando a um mesmo Deus, nesse caso, Alah.

Muitas coisas me chamaram atenção. Parte da pregação consiste em se abaixar e bater a cabeça, de forma bem parecida com a que fazemos no Candomblé. Além disso, todas nós sentamos no chão, apenas as convidadas sentam em cadeiras. Fátima queria me dar uma cadeira, mas recusei... Não vi motivos para isso e ela pareceu feliz com minha recusa. Ao final, rezamos de pé em conjunto, nesse momento é necessário que seu dedo mindinho se encaixe no de sua sister.
A pregação é muito bonita, muito forte, muito contagiante. Várias vezes chorei, me senti muito feliz de estar ali, e, agora, ao narrar o que vivi há uma semana, as lágrimas da sozinhude retornam.

O Iman falava da necessidade dos maridos cuidarem de suas esposas, porque a mulher era o pilar da família. Dizia ele: "his wife is my sister" (sua esposa é minha irmã)! Foi bonito ouvir isso, mexeu comigo... Ele intercalava o Inglês com o árabe, e pelas expressões todas pareciam aprovar suas palavras. Lembrava ainda da importância de se cuidar da saúde, e chamava atenção especialmente das African American para cuidarem da sua pressão arterial, visto que há pesquisas que comprovam que a pressão alta acomete mais este grupo.


Em vários momentos, percebi que Fátima olhava para o lado para ver como eu me sentia. Parecia não acreditar, não entender bem o que eu estava fazendo por ali, mas independente disso, sentia-se feliz de ter sido a anfitriã de uma estudante brasileira no Islã. Carregava em seu olhar e na maneira de me apresentar às pessoas enorme orgulho disso. Ela é uma mulher muito especial, muito mesmo. Chorei no seu ombro a saudade de minha mãe, de minha avó e ela me disse implacavelmente: "você não está sozinha, eu amo você"! As suas palavras ecoaram na minha alma de uma forma muito visceral e senti tanta alegria, tanto orgulho, tanta devoção a Alah por estar ali, participando de tão intímo momento.


Uma Sister que veio me dar boas vindas...




Ao final, Fátima não hesitou. Abiu sua bolsa e me deu seu terço de presente. Não há uma só noite que eu não durma com ele embaixo do meu travesseiro...
Obrigada Fátima, você está eternizada no meu coração!!!


Little Muçulmanas: a menina ao fundo é a pequena Aiete, filha de Fátima. Minha queria amiga não gosta de tirar fotos.

Friday, March 6, 2009

Black Feminisms e uma little tiete

Esta conferência aconteceu na Rutgers University New Jersey no dia 3/7/09



Oie querid@s;

Ontem foi dia de novas aventuras. Fui conhecer New Jersey. É um outro estado coladinho a New York, é possível ir de trem, a viagem leva 40 minutos. Lá tem a Rutgers University, onde tenho duas amigas: Kim, que é professora de lá e Amana, sanduicheira como eu...

Eu e Kim, maravilhoso reencontro!!!

Pois bem, esse é um bom pretexto para conhecer novos lugares: "turismo acadêmico"!
Eu fui para a conferência "Black Women in the Ivory Tower" (Mulheres Negras na Torre de Marfim). Essa é uma expressão muito utilizada aqui para se remeter à academia de uma forma geral.
A expectativa era muito grande... afinal este seria o meu primeiro contato com as feministas negras nos EUA. Nomes tão familiares nas minhas inúmeras buscas com meu amigo irmãozão Adriano pelas estantes da biblioteca do IFCH, em um instante se tornavam pessoas reais... Pelos crachás, ia identificando várias delas, e como não entendia totalmente o que falavam e não conehcia ninguém, ficava por vezes viajando, achando inacreditável que isso pudésse estar acontecendo. Mas é, foi real. Um real forte, bonito, emocionante, comovente.
Nessa conferência, as comparações com os espaços feministas negros aí no Brasil pipocavam.
Como aí, mulheres com bebês e seus carrinhos, crianças maiores brincando...







Enquanto a mãe milita, ela se diverte...







Olhares múltiplos de cumplicidade, simpatia, estranhamento e desconfiança tomavam conta do "hall". Quem conhece os foruns de discussão feministas negros sabe exatamente do que estou falando... Entre toda essa mulherada preta, havia Sabrina, a qual não posso deixar de mencionar. Ela é uma jovem socióloga, estudante de doutorado em Harvard, muito doce e simpática. Seu belo rosto (não gosta de fotos, pena!) se somava ao de todas as outras em busca de um conhecimento transformador, uma nova epistemologia...
Momento bonito, forte, mágico. Um encontro de gerações entre jovens e "jurássicas", unidas por dores, angústias, esperanças...




Cabelos os mais diversos, negritude nos seus mais diferentes matizes e conteúdo de "prima" apresentado nas conferências...


E, assim, eu, engatinhando nessa estrada, ganhei mais força para continuar minha trilha...

A magia das muçulmanas...

Eu e Munira depois da aula de Inglês


Por aqui o tempo começa a andar mais rápido, a rotina exaustiva de leituras infinitas agora começa a ser conciliada com mais uma nova empreitada: o curso de Inglês. Vamos aos fatos:
Cenário: Brooklyn Adult Center em Bed Stuy, a duas quadras (aqui dizem blocks) da minha casa.
A escola é como aquelas que a gente vê em filmes como "Escritores da Liberdade"... só que nesse caso, Hilary Swank, a "Menina de Ouro", perde para mim...
Não sei se as palavras dão conta de explicar este momento mágico, inesquecível. Sou levada à sala de aula pelo professor - muito simpático que fez o teste comigo. Nos corredores, alunos blacks and latins (aqui são coisas diferentes, outro dia explico!). Para mim estes instantes foram eternos, não sabia o que iria encontrar... e já cansada dos cursos de Inglês tradicionais que sempre trazem John e Mary como personagens, confesso que mesmo com todo meu otimismo, não fazia prognósticos muito positivos...
Pois bem, quando eu chego na porta da sala, a Teacher, Victoria Capeci, muito simpática interrompe a aula e meus novos colegas me dão "welcome". Podem imaginar? Nem eu... Entre eles, muçulmanas que falam Bangla, mexicanos, franceses, yemens... Pois é, o "bagulho é doido"! Não tem jeito, a transnacionalidade nos empurra para o Inglês, único ponto aparentemente em comum que compartilhamos. Esse foi meu ledo engano...
Ao fim da aula, que por sinal é muito boa, as muçulmanas se juntam e vêm ao meu encontro. Isso mesmo: "de bando"! Felizes, sorridentes, amigas, queridas. Uma delas que não fala Inglês chama a sua "interpréte". Ela precisa desesperadamente saber o que eu uso no meu cabelo, pois o dela é igual ao meu... Eu explico e ela anota desesperadamente. Tomada pela curiosidade, já que sua burka me impede de ver seu cabelo, pergunto como ele é: ela diz em gestos: "como o seu, só que maior". A burka fazia com que seu belo rosto se tornasse ainda mais expressivo... e, como uma criança pura, ela segura nos meus cachos, maravilhada, encantada...
Todas se despedem muito felizes e eu, mais ainda... a simplicidade e a força desse momento foram mágicas pra mim...
Com a vitalidade dessas meninas, ganhei minha sexta-feira...

Munira e um de seus filhos



Wednesday, March 4, 2009

New York é o caldeirão...

Oieee genteeee;



Pois é... quem diria, a mais provinciana das cariocas aqui em NYC, nem eu imaginava isto, mas cá estou...

Aqui, como já disse em outras ocasiões, têm muitas coisas interessantes, aliás, como em qualquer lugar do mundo... Logicamente que toda generalização é perigosa, mas a um primeiro olhar, nas salas e corredores da NYU Library (Biblioteca da NYU), o que s eobserva são asiáticos andando com asiáticos, negros com negros, indianos com indianos e por aí vai porque etnias não faltam aqui...

Não quero dizer com isso, evidentemente, que as pessoas "não se misturam", afinal mistura existe em qualquer lugar do mundo, mas é interessante observar a formação destes microgrupos étnicos presentes nas ruas, nos restaurantes, no train (metrô). Aí no Rio de Janeiro dizem que o Salgueiro - nosso campeão do Carnaval 2009 - "é o caldeirão", mas eu arrisco outro palpite: New York é o verdadeiro caldeirão!!!

Como lidar com tanta diversidade? Sinceramente, I don't know (eu não sei). É engraçado isso, porque o sentimento que eu tenho é que aqui é tão diverso que, por conseqüência tudo e tod@s são ou podem vir a ser nova iorquinos. Logicamente, que "o buraco é mais embaixo", mas a um primeiro olhar tudo "can be" (pode ser).

Imaginem em um mesmo local as seguintes personagens e cenas: uma mulher com burka lendo o Alcorão, dois africanos conversando em crioulo, uma mãe porto riquenha brigando com seu filho, uma jamaicana trançando seu cabelo, uma afrobrasileira (eu!) lendo um livro em Inglês (tentando!) e, tudo isso, sob a contagiante dança de meninos balck american exibindo passos sofisticadíssimos de dança ao som do bom e velho break. O cenário? MTA New York, ou para os mais intímos, simplesmente train (metrô). Diz aí agora! É ou não é o caldeirão?

Welcome to my afroblog!

Oieeee querid@sssss;

Finalmente, ou melhor, finally! Resolvi aderir à epidemia e virar mais uma bloggeira de plantão. Cá entre nós, nem tão assim de plantão, porque afinal babies estou em New York City e há muita coisa para fazer aqui além do blog. Ahahaha!
Aliás gente, aqui é tanta diversidade que fico perdida. Agora já estou um pouquinho mais acostumada. Coisas básicas como esbarrar numa muçulmana, dividir o banco do train com um indiano, ouvir vozes em crioulo, turco, árabe pelas quebradas de New York vai aos pouquinhos se tornando parte da meu dia a dia, mas com certeza isso nunca será natural para meus olhos e ouvidos. A cada dia escuto uma nova palavra, sinto um novo cheiro, saboreio um gosto inédito!
Realmente não há palavras para descrever o sentimento de estar aqui. Uma oportunidade única! (Nesse caso é tão única que justifica a redundância da frase acima).
E, evidentemente, não há um dia que não lembre da minha terra, de vocês, que são o "meu pessoal". Uma vez fiz um curso no Museu Nacional sobre Pós-Emancipação comparadas no Caribe. Na primeira aula do curso, a querida professora Olívia disse que às vezes "era necessário nos afastarmos de nosso contexto para assim entendê-lo melhor".
Nauqela ocasião, quando eu ainda era a carioca mais provinciana da face da terra, não consegui alcançar a riqueza de seu pensamento. Hoje, passados 51 dias que estou aqui, compreendo e, evidentemente concordo com ela. Olívia, você está com a razão!
Gente, eu quero que esse blog seja um espaço nosso. Para nossas vozes, cores e credos...
Quero continuar celebrando o carinho, a amizade e o amor compartilhando com vocês minhas impressões sobre este lugar tão múltiplo, com o qual tanto tenho aprendido.
Quero compartilhar com vocês os retalhos do que venho pensando, para que com a ajuda de vocês consiga sair daqui com uma colcha bem colorida. Um colorido forte e ativo como o meu, o nosso sol carioca, que aí New York que me desculpe, não tem pra ninguém porque o Rio é chapa quente o ano todo!
Sintam-se bem vind@s para celebrarem comigo esta experiência!
Uma beijoka especial com muito amor da Gi, Gigi, Giovana!